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Uma jornada pelas estradas da vida 

Por Redação | 

Ainda nem amanheceu e, antes mesmo dos primeiros raios de sol, já levanta de sua cama e arruma as coisas para começar o dia. Ao lado do travesseiro, a foto da família relembra suas motivações. Abre a cortina, prepara seu café e toma um banho gelado. Sem perder muito tempo, deixa tudo pronto para retomar a jornada. 

Todos os dias, atravessa centenas de quilômetros por todo o país. A cada km rodado, novos lugares, paisagens e experiências. O cheiro das lonas de freio descendo a serra são como perfume, o som do ronco do motor como melodia. E a solidão, uma fiel companheira em viagens que podem durar dias ou até mesmo semanas. 

Realidade comum a mais de 2 milhões de caminhoneiros e caminhoneiras que percorrem as estradas no Brasil, como é o caso do filho de Dona Aurita, Alex Caires. O rapaz começou a dirigir muito jovem. Logo quando chegou à maioridade, sua primeira habilitação já o permitia conduzir caminhão trucado. 

Caminhoneiro há mais de duas décadas, seus olhos já testemunharam muita coisa em todos esses anos como motorista. Por isso, usa sua experiência para manter uma direção defensiva e responsável nas estradas. 

Casado e pai de dois filhos, a responsabilidade só aumenta.  Afinal, sair de casa só faz sentido se todos puderem voltar. 

Hoje, Alex representa todos os Reis e Rainhas da Estrada que, mesmo com a saudade da família e da sua cidade, transportam o progresso e o futuro do nosso país. Carregam muito mais do que produtos, cargas e mercadorias. Transportam sonhos e histórias. 

Mas para entender melhor essa jornada pela estrada da vida, precisamos voltar ao início de tudo. Ao ponto de partida. 

Início da Viagem 

Alex nasceu em Brumado, uma cidadezinha no interior da Bahia, com pouco mais de 65 mil habitantes. Quando criança, era um menino simples, mas cultivava sonhos. Na escola, demonstrava gosto por matemática, sua matéria favorita. E quando batia o sinal, ia direto jogar bola com os amigos na praça perto de casa. 

Por mais que fosse divertido, seu olhar se desviava a todo momento para a rua ao lado do campinho. Seu real interesse já chamava a atenção: eram os carros, motos e caminhões que passavam por lá. Desde cedo, o menino demonstrava gostar de máquinas, veículos e transporte. Talvez esteja no sangue, já que a relação da sua família com o transporte de cargas começou muito antes de Alex nascer. 

Os pais contavam ao menino a história de seu avô, João Caires. Um português que veio ao Brasil e se instalou no Nordeste brasileiro. Garimpava ouro e diamante na Chapada Diamantina. Como naquela época a região ainda não contava com veículos e alternativas de transporte, João conseguiu uma tropa de animais, com burros e mulas, e passou a levar farinha, carga de cachaça e outras mercadorias entre as cidades próximas. 

Inspirado pelas histórias do avô, Alex também tinha alguns amigos de infância que compartilhavam o amor por caminhões. Tudo contribuiu e reforçou seu interesse. 

Carregando sonhos 

Aos 15 anos de idade, ajudava sua mãe na loja de confecções da família. Com o auxílio do filho, Dona Aurita Caires transportava as roupas e vendia na feira. O transporte das peças era feito por uma caminhonete, onde Alex aprendeu a dirigir.

E conforme o garoto crescia, seu objetivo era claro: “Quando eu fizer 18 anos, vou tirar minha habilitação. Quero dirigir caminhões!”. Dito e feito. Porém, esta não foi a única mudança na vida de Alex aos 18 anos. 

No mesmo ano que tirou a licença para dirigir, há mais de 25 anos, Alex se mudou para São Paulo. Um jovem rapaz, carregado de sonhos e expectativas. Na nova cidade, trabalhou em concessionária, como manobrista e outras oportunidades que apareceram. 

Na terra da garoa, também fez amigos, subiu a categoria da habilitação e finalmente conseguiu se estabilizar. Passou a frequentar uma igreja, onde conheceu Luiz Carlos Valentim, caminhoneiro e palmeirense que se tornou um importante personagem na vida de Alex. 

Bifurcações 

Nesta mesma época, surgiu a possibilidade de seguir por uma nova área profissional: mecânica de aeronaves. Logo quando chegou em São Paulo, Alex estudou por sete meses e prestou para um curso da aeronáutica. 

O destino, porém, havia reservado outros caminhos. No dia que realizaria a segunda prova, um imprevisto aconteceu. Quando estava na Marginal Tietê, a caminho do local, começou a chover torrencialmente.  

A água entrou pelo vidro do carro e molhou o braço engessado de um colega que estava junto com Alex e também faria a prova. Os dois não conseguiram comparecer e foram reprovados. 

“E se aquele dia tivesse outro desfecho?”, se perguntava com frequência. Mas Alex não deixou que essa dúvida pudesse tirar seu sono. Levantou a cabeça e seguiu em frente. E pouco tempo depois, um amigo o chamou para trabalhar como caminhoneiro. 

Trilhando novos caminhos 

No início da jornada como motorista, Alex contou com a ajuda, o incentivo e os conselhos de Luiz Valentim, aquele caminhoneiro experiente que frequentava a mesma igreja. E com o passar dos anos, se tornaram grandes amigos. Mais do que isso: sogro e genro. 

Daniela, filha de Luiz, conheceu Alex e os dois logo se apaixonaram. Segundo ele, “primeiro encantou o sogro e a sogra para depois encantar a esposa”. 

Os frutos desse amor se chamam Gabriela, uma garota de 17 anos que ama viajar com o pai, passear no shopping e pretende seguir carreira na área da tecnologia. E Samuel, um menino de 10 anos apaixonado por carros e jogos. Atualmente, quando perguntado sobre o futuro, quer trabalhar fazendo vídeos para a internet. 

“Nasceram com o meu sangue, porque gostam de estrada. Se fosse pra escolher ir de avião pra qualquer lugar do Brasil ou viajar de carro com o pai, preferem a segunda opção”, afirma Alex, com orgulho. 

Como caminhoneiro, Alex já chegou a ficar 40 dias longe de casa e descobriu que a carga mais pesada é a da saudade. Nessas situações, a música quebrava o silêncio da cabine. O rádio tocando sertanejo, como quem narra em voz alta os sentimentos mais profundos.

Nos mais de vinte anos como motorista, Alex presenciou tudo o que a estrada pode oferecer de bom e ruim. Todos os perigos, desafios, experiências e maravilhas que a vida em movimento pode proporcionar. 

Estrada à frente 

Em 2020, Alex fez testes em uma empresa de transportes e foi aprovado. Quando estava para pegar o uniforme, recebeu uma ligação da G2L. Era uma proposta!

Chegou em casa indeciso e compartilhou a situação com quem há mais de 20 anos o ajuda a tomar as melhores decisões: sua esposa. “Vá fazer a entrevista e se livre dessa dúvida”, aconselhou Daniela, com sabedoria. 

Ele fez o teste e gostou. Contratado como um dos primeiros motoristas da G2L, faz questão de seguir aprendendo e usa sua experiência para ensinar outros motoristas mais jovens.

Hoje, volta todos os dias para casa, contribui mais de perto com a criação dos filhos e consegue passar tempo de qualidade com a família.  

Alex pretende investir em educação, reativar sua faculdade de logística e aprender mais sobre a parte operacional do transporte. Quando olha para o horizonte, ele enxerga um lindo caminho pela frente.

Agora mais presente, quer ajudar Gabriela e Samuel na formação acadêmica, profissional e pessoal. Viajar com eles pelas estradas da vida que estão apenas no início.

Um ambiente que Alex conhece muito bem.  

Assista ao nosso vídeo especial em homenagem aos caminhoneiros que publicamos na última segunda-feira (25), no Dia do Motorista